Europa General Guerreira

 

“Este cérebro de um país
placa tornante gonzo
eclusa
de tantas aspirações que procuram

ele próprio no centro
da comodidade das suas estradas convergentes
local feito para a troca e para as reuniões
capital onde se realiza não só a síntese
de duas raças
mas também a união de tantos interesses
tantas energias
desligou as suas imagens

boca aberta em expectativa
os homens-jaguar
vão falar”*

O teu país vai em guerra
Miséria num olhar envolto num espectro de devastação
Nos campos de reconcentração solar
Iludes a prisão da fome à sombra do mar

Mas que leis de emigração?
Mas que leis de erradicação?

“entre pombos de asas de chumbo
adoradores do cometa de sangue,
vestidos de amianto”*

Mas que leis de resolução?
Mas que leis de permissão?

“A máquina de escrever dos generais
escreve a palavra cadáver
ininterruptamente
até ao final do último acto.”

“enquanto uma pessoa, uma só que seja,
e ainda que seja a última,
existir desfigurada,
não haverá figura humana sobre a terra.”*

* – António José Forte; desenho de Aldina

 

*sons de barco em fausto..

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