porque a língua portuguesa não é a minha pátria a minha pátria não se escreve com as letras da palavra pátria

capa

Nós heróis do mar eis
nobre povo sempre as naus
na frente dos reis.
Primeiro a moldura depois
a pintura após o retrato
a epopeia depois do relato.

Às armas…Às armas…
Nuno Gonçalves primitivo
educado colectivo passaporte
nobre povo mas mísera sorte.
Onde pousaram às pressas
retornados não idos sentados
nos projectos
como se já fossem
esmaecidos abandonados.

Almada imortal plantel
Negreiros atrás da tábua
que no painel falta
para justificar a malta.

Levantai hoje de novo
todo o esplendor de Portugal
galinha após o ovo já que
primeiro Colombo depois
Cabral.

Azar mas…Azar mas…
pela pátria lutar.
Depois da casa roubada
as portas trancar.
Somar os séculos de Império
e Salazar pelos dedos 48 anos
detrito familiar.
Contar os trajectos
navegar navegar voltar
após vinhetas de sangue
fazer o mosteiro
capacho de choro milenar.

Chamar Nuno Gonçalves para pintar
Almada para reconstituir
murais para a nação destilar.
Quem vê caras não vê brasões
daí os retratos
e as condecorações.

É assim somos assim meu irmão
primeiro vítima depois
o Dom de Sebastião.
Para nós a Humanidade
é uma lotaria.
Fomos grandes por fora
colonos do riso sem alegria.

Primeiro a República
avental da Monarquia depois
maçónica a Ditadura
com selvajaria cheia de Peros
de Vazes de Escrivaninha.

Camões que precisou
naufragar para o original
dos Lusíadas na tormenta editar.

Nação sem dúvida valente e imortal
na emigrância per capita
fundamentar.

Azar mas…Azar mas…
unha por cunha coisa por loisa
casamento por procuração depois
por Brasil a noiva.

Fernando Pessoa que foi Ser
português voltou
para conferir a língua desolado
fiscal do produto viciado.

25 de Abril
apoteose de revista
todos os bons restantes
com os maus de antes
sem pontos de vista.
agora sem medo enredo
sem uma história prevista.

Agora o fado espanta
nosso retiro e desespero
talvez nos paguem a conta
ou só irónico o tempero.
Talvez se aprenda o ovo
depois da galinha depois do óbvio
da adivinha.

Levantai hoje de novo
o esplendor da galinha
o imortal povo
ovo pai da rainha.
Mas primeiro país depois
Portugal.

Pobreza em pó orgulho
pre-conceito generoso
e desfeito.
Viva meu irmão do coração
azar mas…às armas…
pela pátria lutar depois
sem mar
só com chão Recomeçar!

 

 

 

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