Um cadáver domina a sociedade – o cadáver do trabalho

Só a crítica do trabalho, formulada com rigor e acompanhada pelo correspondente debate teórico, pode criar um novo contra-espaço público, condição indispensável para construir um movimento social que seja uma prática contra o trabalho. As disputas internas ao campo do trabalho estão esgotadas e tornaram-se cada vez mais absurdas. É por isso tanto mais urgente redefinir as linhas de conflito social, em torno das quais se possa formar uma união contra o trabalho. (*)

 

● o trabalho devorou ate eu não ter um nome ●
● nem cara nem identidade o trabalho fudeu ●
● minha luta minha familia a mulher e os fetos ●
● meus meninos minha casa o trabalho comeu ●
● todas as moedinhas e os miudos o trabalho ●
● devorou minha calça a camisa a cueca e o gozo ●
● devorou minha unica sandalia de couro e prego ●

● o trabalho fudeu devorou e engoliu o cinturão ●
● furou como cupim meu chapel o trabalho fudeu ●
● minha altura meu peso a cor dos meus olhos ●
● a cor dos meus cabelos o trabalho queimou ●
● os pelos os pentelhos inda mais a minha carne ●
● minha lingua é so e mal a lingua do trabalho ●
● a lingua violenta e pura perversa do trabalho ●

● o trabalho me adoeceu e vomitou remedios ●
● não sumiram nem as dores nem as doenças ●
● o trabalho faz meu mijo feder e apodrecer ●
● como amargo e gorduroso fede o chorume ●
● q escorre das fabricas e jogam nos rios no mar ●
● o trabalho fudeu a casa a familia dos meus avos ●
● fudeu meu pai meus irmãos e minha mãe ●

● o trabalho me deixou assim faminto o trabalho ●
● devorou minhas coisas meu pente meu lenço ●
● destruiu minhas unhas enferrujou meu canivete ●
● a tesoura a faca cariou e partiu meus dentes ●
● meu caralho não sobe ha tanto tempo q se subir ●
● o coração se estraçalha porq caralho e grelo ●
● molhados so podem subir se o trabalho mandar ●

● o trabalho devorou meu cão meu gato e o rato ●
● qeu criava escondido do gato e do cachorro ●
● o trabalho fudeu arvores flores e abelhas ●
● o trabalho devorou as mesas as cadeiras ●
● o trabalho devorou meu pão e a farinha ●
● bebeu minhas lagrimas depois cuspiu longe ●
● dentro das latrinas nos esgotos nos vagos ●

● o trabalho fudeu minha infancia o trabalho ●
● fudeu minhas fugidas meus tios e primos ●
● o trabalho fudeu meus amigos e risos ●
● o trabalho fudeu o canto dos cantadores ●
● o trabalho fudeu a multidão comeu o povo ●
● o trabalho fudeu os sonhos e a punheta ●
● o trabalho devorou estradas e sombras ●

● o trabalho devorou a terra onde duramos ●
● comeu devorou e fudeu minha cidade ●
● o trabalho cagou na agua viva agora morta ●
● vendeu o mar esmagou tudo q vivia e gostava ●
● queima favelas toda noite com meus iguais ●
● em grandes fogueiras na loucura dos barracos ●
● pra fazer arranhaceus por moedinhas e lascas ●

● o trabalho fudeu ate o q eu nunca soube dizer ●
● nem pensar nem desejar nem olhar nem sentir ●
● o trabalho fudeu o suor o cheiro das mulheres ●
● os fins de semana a agua ardente transparente ●
● pra esquecer q o trabalho so faz fuder e devorar
● ate não se ter o q fazer o q fazer o q fazer ●
● o trabalho comeu os minutos e a vergonha ●

● o trabalho so deixou essa madrugada ●
● esse trem esses passos essa bicicleta velha ●
● esse onibus aos pedaços esse aperto essa dor ●
● essa noite pelas ruas entre esterco e buracos ●
● o trabalho fudeu o sono meu sono meu sono ●
● o trabalho fudeu a alegria a brincadeira ●
● fudeu as filhas todas elas agora são putas ●

● o trabalho fudeu meu deus minhas festas ●
● meu tempo minhas forças meus jogos ●
● o trabalho devorou a beleza e a beleza ●
● a beleza de tudo e de todos a beleza ●
● o trabalho humilha os q não trabalham ●
● como se não trabalhar desonrasse respirar ●
● o trabalho desfibra fibra por fibra o coração ●

● o trabalho fudeu tudo q se move o trabalho ●
● não dorme mas sonha e assim cria monstros ●
● a razão a verdade a lei a policia os manequins ●
● tudo isso isso ao redor q gargralha sem rir ●
● o trabalho fudeu tanto q so pode gargralhar ●
● enquanto todos olham como se vivessem ●
● mas o trabalho ensinou q nos não existimos ●

● o trabalho fudeu ate os dias não nascidos ●
● o trabalho fudeu nessa guerra minha paz ●
● o trabalho fudeu meus dias com suas trevas ●
● o trabalho fudeu as estações com o inferno ●
● o trabalho fudeu e devorou meu silencio ●
● o trabalho devorou meu medo da morte ●
● o trabalho ensinou q tudo ja é morte ●

● ensinou q nessa morte é tudo deles ●
● tudo saqueado pelos donos do trabalho ●
● ensinou q esse nada fica sempre cheio ●
● de tudo q eles fuderam tudo q devoraram ●
● pra gastar com brexas com inuteis e bufas ●
● o trabalho é coveiro q so enterra gente viva ●
● o trabalho ensinou q tudo ja é morte ●

 

If the end of labour implies the end of politics, a political movement for the abolition of labour is a contradiction in terms. The opponents of labour make demands on the state, but they do not form a political party and will never do so. The whole point of politics is to seize power (i.e. to become „the administration“) and to carry on with labour society. That’s why the opponents of labour don’t want to take the control centres of power, but want to switch them off. Our policy is „anti-politics“. (*)

 

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